Entrada de texto sempre foi sinônimo de “teclado”. É uma herança das máquinas de escrever que nossos computadores herdaram e nunca quiseram saber de deixar para trás. Até a disposição das teclas é a mesma de outrora. E por décadas a fio simplesmente não foi necessário que isso fosse questionado. Até que vieram os celulares. Um teclado de celular tem pouco mais do que 12 botões. O alfabeto ocidental tem 26 letras. Não ia ter botão pra todo mundo. Daí a solução foi fazer aquele já mais-do-que-familiar agrupamento de três, quatro letras por tecla do telefone.
Isso funciona, claro. Permite que com apenas 12 botões, qualquer uma das 26 letras seja digitada, além de uma série de acentos, itens de pontuação e caracteres especiais. Mas acaba levando muito tempo. Para digitar a letra S por exemplo, é necessário apertar o número 7 quatro vezes. Pense quantos pressionamentos de tecla “a mais” seriam dados para digitar um texto do tamanho deste, que você está lendo agora. A eficiência deste sistema é simplesmente baixa demais para ser viável em blocos de texto maiores que uma ou duas linhas. Entra em cena o T9.
Todo mundo que mandou uma mensagem de texto do celular nos últimos 10 anos deve conhecer o T9, ainda que desconheça o nome. Também chamado de previsão de texto, esse é o nome daquele dicionário que “adivinha” a palavra que você está digitando. Ao invés de digitar 222 2 777 2 para digitar casa, você simplesmente digita 2272 que o programa analisa as combinações possíveis entre as letras contidas naquela combinação, e te apresenta as opções mais prováveis. E o mais legal é que ele vai aprendendo palavras novas a medida que é usado, e fica cada vez mais esperto. É um recurso bacaníssimo e que vem em praticamente todo modelo de celular, desde os mais baratinhos. Facilita e muito a entrada de texto nos aparelhos, diminuindo o número de movimentos desnessários e agilizando todo o processo. Agradeçam à Cliff Kushner. Ele é um dos inventores do sistema.
Vieram depois os celulares como os Blackberry, que possuem um teclado com todas as letras. Mas devido às dimensões reduzidas, ainda não são tão confortáveis quanto um teclado comum. Agora a bola da vez são as touch screens. Aquelas telas sensíveis ao toque que permitem que aparelhos como o iPhone por exemplo, dispensem quase que completamente a existência de botões no aparelho.
É uma forma nova de pensar a interface, e é possível usar na tela teclados virtuais com todas as letras em bom tamanho na tela de alguns destes aparelhos. Num tablet pc, o teclado pode ser até maior que um teclado comum, se necessário. Não é o sistema perfeito, mas já traz um certo conforto ao usuário. O próximo passo então? Qual é?
Uma das pessoas que sugere uma resposta à esta pergunta é o próprio Kushner. Ele está na fase final do desenvolvimento do Swype. A idéia é muito bacana: o usuário apenas desliza os dedos sobre o teclado, de uma letra a outra, ao invés de fazer o movimento de “sobe e desce” característico da digitação. Daí o software lê por onde seu dedo passou, compara com um banco de palavras e de forma semelhante ao T9, adivinha o que você está escrevendo. O Swype está quase pronto, e você pode se registrar no site para ser avisado quando um beta estiver disponível para o seu aparelho. O próprio autor do projeto diz que com este método é possível digitar até cinquenta palavras por minuto. Uma meta alta, e um feito impressionante se alcançado. O que eu não duvido, de forma alguma, principalmente depois de assitir a esta demonstração, para o pessoal da CNet.
A idéia não é nova. A IBM vinha desenvolvendo um sistema semelhante, chamado SHARK desde 2004. Hoje este projeto se chama ShapeWriter. Eles está entrando agora na iTunes App Store para ser usado no iPhone e no iPod Touch, e vai ser compatível também com a plataforma Android, do Google. A aplicativo foi batizado de WritingPad. Os demos do funcionamento do software e do app para o Android são tão animadores quanto os do Swype, e como tudo indica que ele entra no mercado primeiro, começa com vantagem na competição.
É impossível ainda dizer qual dos dois vai se sair melhor, ou se essa maneira de digitar vai mesmo “pegar”. Mas eu apostaria que sim. Num mundo onde notebooks estão se tornando cada vez menores e aparelhos como celulares e palmtops, pequenos demais para conterem um teclado confortável, se tornam cada vez mais comuns e ganham espaço na vida das pessoas, um método mais eficiente e confortável de interagir com eles é necessário. Deêm tchauzinho aos teclados cheios de sujeira sob as teclas. Dêem olá às telas cobertas de impressões digitais. O futuro vem aí.

